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Revista Portugalglobal – AICEP |
Os alicerces inovadores da construção
Durante a pandemia os setores da construção e materiais de construção encontraram novas formas de comunicar e de chegar aos clientes internacionais, trocaram as feiras por novos formatos, plataformas digitais e exposições virtuais. Reinventaram-se. Essa mudança foi apenas um passo numa transição mais ampla, verde e digital. Uma resposta aos múltiplos desafios, da escassez habitacional à criação de materiais inovadores e sustentáveis que garantam a segurança das construções e o futuro do planeta.
Portugal tem mais de 150 mil empresas nas áreas da construção e materiais de construção, o crescimento médio anual das exportações tem sido, desde 2020, 14,5 por cento ao ano no que se refere aos serviços e 8,9 por cento nas exportações de bens. Há vários fatores que podem justificar esse crescimento, mas todos eles assentam na inovação, na capacidade que as empresas têm demonstrado para acompanhar novas tendências de industrialização, sustentabilidade e digitalização.
Historicamente orientados para os mercados externos, estes setores têm levado a engenharia e a construção portuguesa ao mundo, com um dinamismo que também se deve à cooperação entre os centros de investigação, as universidades e o tecido empresarial. O resultado é obra, e não faltam exemplos nesta edição, dos blocos de cânhamo para construção sustentável à arquitetura de madeira industrializada, passando pela transformação de resíduos em materiais úteis para a construção. Das grandes empresas do setor, por outro lado, chegam respostas de construção industrial para aumentar a oferta de habitação, ou grandes obras que levam o reconhecimento da engenharia portuguesa a Angola, Moçambique ou Brasil.
Os setores da construção e dos materiais de construção têm-se afirmado como um dos motores da economia portuguesa e a internacionalização das empresas tem sido impulsionada por parcerias estratégicas e pela aposta na qualidade e especialização dos serviços, como sublinha nesta edição o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Manuel Reis Campos. No entanto, as conquistas devem ser celebradas com o olhar atento aos desafios. A escassez de mão de obra com que muitas empresas se deparam e a carência habitacional serão os principais. A resposta estará nas novas tendências, na construção industrializada e modular, na indústria 4.0 que tem vindo a consolidar-se nestes setores. Ou na economia circular que reduz, reutiliza e devolve o que antes se considerava resíduos ao processo produtivo. Esse é um caminho que o setor tem vindo a trilhar, e que muitas empresas portuguesas têm percorrido com determinação.
Esta edição da Portugalglobal é dedicada sobretudo aos setores da construção e materiais de construção, mas não a “feche” sem dar um salto ao outro lado do mundo. Porque também lhe trazemos um retrato do Vietname, um mercado em que muitas empresas podem ainda não ter pensado mas que é um país em crescimento acelerado e um parceiro emergente.

