– A maioria das empresas, 45,3% (33,6% no primeiro trimestre), aumentaram as vendas face ao período homólogo do ano anterior, enquanto a percentagem das que afirmaram a sua diminuição, baixou de 29% para 21,9%.
– A perceção das empresas sobre a sua atividade foi, naturalmente, mais favorável, com a percentagem das empresas que considerou “bom” o respetivo “nível de atividade” a atingir os 73,9%, contra apenas 13% que o considerou “deficiente” (29% no trimestre anterior).
– Os preços de venda voltaram a apresentar uma clara tendência de subida, embora menos intensa que a observada no primeiro trimestre do ano, o que continuamos a atribuir principalmente à subida do preço da energia (guerra no médio oriente), tendo o aumento recolhido 50,8% das respostas ponderadas pelos 25 grupos de produtos, enquanto a manutenção foi indicada por 33,6% e a diminuição por 15,6%.
APRECIAÇÃO GLOBAL
No 2º trimestre de 2026 o volume de negócios das empresas do setor regressou a uma trajetória de crescimento, após a breve interrupção registada no primeiro trimestre.
Em termos globais, a evolução das vendas foi positiva para 45,3% das empresas (mais que os 33,6% registados no primeiro trimestre de 2026), enquanto a percentagem das que afirmaram a diminuição das vendas caiu de 32,8% para 21,9%.
Uma vez mais, o desempenho dos dois subsetores não foi idêntico, registando-se uma ligeira vantagem para as empresas armazenistas. Enquanto o subsetor armazenista apresentou um SRE de +29,5% nas vendas trimestrais, com 47,7% das empresas a afirmarem o aumento e 18,2% das respostas a apontarem a diminuição, já no caso do subsetor retalhista, apesar de uma recuperação notável, o SRE foi menor (+20,2%) com o aumento a ficar nos 44% e a diminuição a atingir os 23,8%.
A apreciação feita pelas empresas sobre a respetiva atividade melhorou muito substancialmente em relação ao trimestre anterior.
Com efeito, a percentagem de empresas qua a consideraram Boa aumentou de 41,9% para 73,9%, ao mesmo tempo que a percentagem das que a classificaram como Deficiente baixou de 29% para 13%. O SRE foi claramente positivo, cifrando-se em +60,9% (compara com +12,9% no período anterior). Ao invés do que vinha a observar-se há cinco trimestres consecutivos, o segmento armazenista foi quem apresentou o melhor desempenho relativo (SRE de +75%, contra +7,1% no trimestre anterior), enquanto o subsector retalhista passou de um valor de +17,7% no SRE, para +45,4%.
VENDAS E STOCKS – 2º TRIMESTRE 2026
(SRE – saldo das respostas extremas)
A melhoria das vendas, tendo ficado um pouco abaixo do que era esperado, não impediu alguma acumulação de stocks, apesar de se poder admitir ter existido algum reforço das compras num período em que eram esperados aumentos significativos nos preços. Assim, o SRE relativo à variação das existências atingiu os +14,1%, muito acima dos -8,2% indicados nas expetativas extraídas do estudo anterior.
Ao nível dos dois subsetores, a evolução deste indicador foi coerente com a intensidade da variação observada nas vendas respetivas. Assim, verificou-se que o SRE no caso dos retalhistas (+20,2) foi bem superior ao dos armazenistas (+2,2%), cujas vendas tiveram um maior crescimento.
2º TRIMESTRE DE 2026
Indicadores
|
SRE – saldo das respostas extremas (%) |
|||
| Sector | Armazenistas | Retalhistas | |
| Vendas | + 23,4 | + 29,5 | + 20,2 |
| Existências | + 14,1 | + 2,2 | + 20,2 |
| Preços | + 35,2 | + 63,6 | + 20,3 |
| Atividade | + 60,9 | + 75,0 | + 45,4 |
| Vendas homólogas | + 30,5 | + 50,0 | + 9,1 |
Como se pode constatar, registou-se uma evolução favorável nos principais indicadores do setor, em particular no que concerne ao comportamento das vendas e, sobretudo, à apreciação sobre o nível de atividade.
2º TRIMESTRE DE 2026
(variação dos valores do SRE – saldo das respostas extremas – face ao trimestre anterior)
Indicadores
| Variação do saldo das respostas extremas em pontos percentuais | |||
| Sector | Armazenistas | Retalhistas | |
| Vendas | + 22,6 | + 13,3 | + 24,1 |
| Existências | – 6,8 | – 7,5 | – 4,1 |
| Preços | – 18,5 | – 0,9 | – 30,2 |
| Atividade | + 48,0 | + 67,9 | + 27,7 |
| Vendas homólogas | + 17,6 | + 35,8 | – 2,7 |
(sinal ”-“indica pioria ou diminuição; sinal “+” indica melhoria ou aumento)
No tocante às vendas, destaca-se, pela positiva, a recuperação do subsetor retalhista, que enfrentou nos últimos nove meses um crescimento mais lento da procura e, no primeiro trimestre deste ano, terá sido o mais prejudicado pelas consequências das tempestades (quebra de atividade na região Centro e direcionamento dos recursos humanos para a reparação de danos e reconstrução).
VARIAÇÃO DOS VALORES DOS SALDOS DAS RESPOSTAS
EXTREMAS FACE AO TRIMESTRE ANTERIOR
VENDAS
A percentagem das empresas que indicou o aumento das vendas face ao período anterior aumentou e cifrou-se nos 45,3% (contra 33,6% no trimestre anterior), ao mesmo tempo que a percentagem das que que referiram a sua diminuição baixou significativamente, passando dos 32,8% observados no 1º trimestre para os 21,9%.
VENDAS
Por sua vez, a percentagem das empresas que afirmou o aumento das Vendas homólogas também subiu dos 41,9% registados no trimestre anterior para 52,2%, enquanto a percentagem dos que referiram a diminuição se reduziu de 29% para 21,7%, resultando numa melhoria substancial do respetivo SER, que passou dos +12,9% no trimestre anterior para +30,5%.
VOLUME DE VENDAS COMPARADO
COM O MESMO PERÍODO DO ANO ANTERIOR
(SRE – saldo das respostas extremas)
Em consonância com o observado no indicador Vendas, o segmento armazenista foi quem apresentou, neste indicador das Vendas homólogas, um melhor desempenho com um SRE de +50%, enquanto o segmento retalhista registou um saldo das respostas extremas de apenas +9,1%.
PREÇOS
Os preços de venda, apresentaram pela segunda vez consecutiva, após quase um ano de estagnação, uma clara tendência de aumento, embora menos intensa que a registada no 1º trimestre, refletindo o aumento dos custos de transporte e da energia originados pela guerra no Médio Oriente. Assim, observaram-se 50,8% de respostas no sentido do aumento e 15,6% no da diminuição, enquanto as respostas no sentido da manutenção dos preços foram de 33,6%. O SRE foi de +35,2%, que compara com +53,7% no 1º trimestre, +15,2% no 4º trimestre de 2025, com +12,1% no 3º trimestre, +22,9% no 2º trimestre, +39,2% no 1º trimestre e com -1,8% no 4º trimestre de 2024.
PREÇOS
O aumento dos preços de venda foi novamente mais significativo no subsetor armazenista, com um SRE de +63,6%, enquanto o SRE no subsetor retalhista foi de +20,3%, provavelmente por naturais razões de desfasamento temporal no processo de atualização de preços ao longo da cadeia de distribuição, e/ou, por outras dificuldades no mercado.
Embora a tendência dominante tenha sido a do aumento dos preços, em particular nos grupos de produtos “Ferro redondo para betão armado e em perfis para estruturas e outras”, “Portas metálicas, automáticas e automatismos para portas”, “Tubagens e acessórios em plástico”, Madeiras e derivados (portas, placas, contraplacados, etc.)” e “Louça sanitária, banheiras, torneiras e acessórios para casa de banho”, registou-se, em sentido contrário, uma diminuição nos “Produtos de fibrocimento”.
CONDIÇÕES DE CRÉDITO DOS FORNECEDORES
Não se observaram alterações substanciais nas condições dos fornecedores e embora não se tenha registado qualquer resposta no sentido da melhoria, verificou-se mesmo uma diminuição do número de respostas que indicaram o seu agravamento. Assim a maioria das respostas voltaram a concentrar-se na manutenção (95,7%, contra 87,1% e 88,2%, sucessivamente, nos dois trimestres anteriores), tendo-se registado apenas 4,3% de respostas no sentido da pioria (contra 12,9% no primeiro trimestre e 11,8%, no 4º trimestre de 2025).
O segmento armazenista manteve uma posição relativamente melhor, registando um SRE de 0% (com 100% de respostas na manutenção), que o segmento retalhista, cujo SRE até baixou, de -17,6% para -9,1%.
CONDIÇÕES DE CRÉDITO
PRAZOS DE RECEBIMENTO DE CLIENTES
Ao nível dos prazos de recebimento de clientes, a evolução foi, uma vez mais, em sentido desfavorável, já que o número de respostas no sentido do aumento dos prazos aumentou, passando dos 12,9% observados no estudo anterior, para 26,1%, agravado pelo facto da percentagem das respostas que referiram a diminuição dos prazos permanecer em 0%.
PRAZOS DE RECEBIMENTO
Tal como no trimestre anterior, o aumento dos prazos de recebimento afetou mais os retalhistas (27,3% das respostas) do que os armazenistas (25% das respostas). Nenhum dos subsetores registou respostas no sentido da da diminuição dos prazos de recebimento de clientes.
CONCORRÊNCIA
Após três trimestres consecutivos em que se observou uma diminuição da percentagem de respostas que denunciam o aumento da concorrência sectorial, este número voltou a aumentar significativamente, tal com havia sucedido no trimestre homólogo de 2025. Com efeito, a percentagem de respostas no sentido do aumento subiu para os 52,2%, face aos 22,6% observados no1º trimestre.
CONCORRÊNCIA
O subsector armazenista, ao contrário do que ocorreu no período anterior, registou uma maior pressão concorrencial, com o número de respostas que referiram o seu agravamento a aumentar dos 14,3% do trimestre anterior, para 58,3%, apesar de haver o registo de 8,3% de respostas no sentido da diminuição.
No subsetor retalhista, a percentagem de respostas no sentido do aumento também subiu, passando de 29,4% no 1º trimestre, para 45,5%, mas sem registo de respostas no sentido da diminuição da concorrência.
ATIVIDADE
O forte crescimento das vendas trimestrais (apesar de ter ficado abaixo das previsões), teve reflexos, mais do que proporcionais, na avaliação do Nível de Atividade, para o que terá eventualmente também contribuído o crescimento moderado dos preços de venda.
EVOLUÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE
(SRE – saldo das respostas extremas)
De facto, o número das empresas que o classificaram como deficiente diminuiu para menos de metade relativamente ao observado no trimestre anterior (13%, contra 29%), enquanto a percentagem das empresas que consideraram bom o respetivo Nível de Atividade aumentou de forma muito expressiva (73,9%, contra 41,9% no 1º trimestre).
ATIVIDADE
Como já referimos no capítulo da apreciação global, o subsetor armazenista apresentou um desempenho mais favorável que o subsetor retalhista, com um SRE de +75%, enquanto as empresas retalhistas registaram um SRE de +45,4%.
Quer armazenistas, quer retalhistas, destacaram entre os fatores que mais afetaram o Nível de Atividade, a falta de encomendas e os preços de venda demasiado altos.
FINANCIAMENTO BANCÁRIO
A percentagem das empresas que recorreu a crédito bancário foi superior à registada no trimestre anterior, facto que foi referido por 26,1% das respostas (22,6% no 1º trimestre).
Como já tinha sucedido no trimestre anterior, a percentagem foi maior entre as empresas retalhistas (27,3%) que entre as armazenistas (25%). Quanto ao destino do crédito, 9,1% das empresas retalhistas referiram a sua utilização para financiamento corrente e, o dobro, 18,2%, para investimento. Ao contrário, as empresas armazenistas dividiram-se entre uma percentagem maioritária de 25% para financiamento corrente e de 8,3% para investimento. Ninguém considerou difícil o acesso ao crédito.
PREVISÃO PARA O 3º TRIMESTRE DE 2026
As previsões para o terceiro trimestre do ano de 2026 voltam a ser bastante otimistas, como aliás tem acontecido desde meados de 2025, apesar dos resultados terem ficado sistematicamente abaixo das expetativas. Esperemos que desta vez não seja o caso, tanto mais que se trata de um período tradicionalmente favorável, em particular para as vendas a particulares, já que o desenvolvimento das obras de maiores dimensões pode sofrer mais do efeito das “férias do pessoal”.
PERSPETIVAS PARA O 3º TRIMESTRE DE 2026
| Indicadores | SRE – saldo das respostas extremas (%) | ||
| Sector | Armazenistas | Retalhistas | |
| Cart. Encomendas | + 7,8 | 0 | + 11,9 |
| Vendas | + 24,2 | + 15,9 | + 28,6 |
| Enc. Fornecedores | + 8,6 | – 6,8 | + 16,7 |
| Existências | + 0,8 | – 18,2 | + 10,7 |
Assim, uma vez mais, as expetativas das empresas do subsetor retalhista são claramente mais elevadas que as do subsetor armazenista, o que julgamos, pelo menos desta vez, terá melhor fundamento, pelas razões que atrás referimos.
Temos que ter sempre alguma prudência, uma vez que as guerras que se arrastam na Ucrânia e, mais recentemente, no Médio Oriente estão a criar cada vez mais dificuldades ao nível dos preços da energia e das matérias primas, alimentando uma inflação crescente que arrasta consigo uma ameaça de subida das taxas de juro e a diminuição do ritmo de crescimento económico, em conjunto com a degradação da “confiança”, o que pode induzir uma retração na procura e o adiamento das decisões de compra e investimento.
Vendas Previstas e Vendas Realizadas
(saldo das respostas extremas)
Pelo lado positivo, temos, a aceleração final das obras do PRR (embora muitas sejam obras de engenharia), quer o esforço de reconstrução das zonas afetadas pelas tempestades, e ainda, o bom desempenho esperado do turismo que deverá animar a continuação do investimento no setor da hotelaria.
Como já referimos no relatório anterior, apesar de assistirmos há vários meses a uma diminuição no licenciamento de obras de reabilitação, mantemos a esperança que as alterações ao regime do arrendamento habitacional anunciadas, em conjunto com o desagravamento fiscal das rendas já em vigor, venha a ter, até ao final do ano, um efeito muito significativo no aumento da disponibilidade de casas para arrendar e, por consequência, nas obras de renovação que serão necessárias.
Finalmente, mas não menos importante, sublinhamos que, mesmo com as restrições recentes à imigração e embora de forma mais moderada, continua a verificar-se o aumento do número de pessoas empregadas, em simultâneo com algum crescimento dos salários reais. Ainda que a produtividade não esteja a aumentar, a base essencial da procura continua a alagar-se.











